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Você sabe o que é tricotilomania?

A tricotilomania (TTM) é uma doença compulsiva que leva a pessoa a um desejo incontrolável de arrancar os fios dos cabelos ou de qualquer outro pelo do corpo (sobrancelhas, cílios, pelos pubianos) levando à rarefação ou notável áreas de calvície

Para quem está lendo isso pela primeira vez essa compulsão pode até parecer estranha, mas a tricotilomania não é uma doença tão rara. Muitos sofrem em silêncio pelo medo do preconceito ou por vergonha.

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Muitos tricotilomaníacos sofrem em silêncio pelo medo do preconceito ou por vergonha ao arrancar seus cabelos e produzir área de falha no couro cabeludo

O termo “tricotilomania” (TTM) vem do grego trico (cabelo) e tillo (arrancar). A característica básica do distúrbio é o impulso de puxar os cabelos ou pelos. Alguns selecionam especificamente o fio que vão arrancar: ao se olharem no espelho, escolhem os cabelos brancos, os que ficam em pé ou os que tem uma textura ou qualidade diferente. Outros os puxam de forma inconsciente e automática, como quando estão distraídos na leitura, estudo ou ao falar no telefone, e só percebem o gesto mais tarde.

Geralmente é arrancado um fio de cada vez e nem sempre a extração do pelo é imediata. Às vezes torna-se um ritual diário e o paciente fica durante horas torcendo os cabelos entre os dedos ou manipulando os fios antes de arrancá-los.

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Alguns tricotilomaníacos selecionam especificamente o fio que vão arrancar: ao se olharem no espelho, escolhem os cabelos brancos, os que ficam em pé ou os que tem uma textura ou qualidade diferente

A característica essencial da TTM é uma sensação de tensão crescente antes do ato de arrancar os cabelos. A retirada do fio causa ao tricotilomaníaco uma enorme sensação de alívio e prazer, o que cria um círculo vicioso incontrolável (tensão-prazer-alívio).

A TTM afeta cerca de 3% da população, mas pode passar despercebida. Em geral, 40% dos casos não são diagnosticados e 58% dos pacientes não são tratados. A doença pode atingir qualquer pessoa, mas as mulheres são as principais vítimas. Na maioria dos casos, os primeiros sinais surgem na adolescência, mas também são percebidos em crianças entre seis e dez anos. É incomum, entretanto, o início dos sintomas na fase adulta.

A abordagem do paciente com tricotilomania deve ser cuidadosa e investigar tanto o aspecto dermatológico quanto o psiquiátrico, já que o transtorno se inicia, pelo menos em parte dos pacientes, devido a um acontecimento marcante ou estressante (morte na família, divórcio, problemas na escola ou dificuldades de relacionamento).

Como reconhecer o paciente com tricotilomania?

  • Têm o hábito de “brincar” com os cabelos, passar os fios sobre os lábios, colocá-los na boca ou enrolá-los entre os dedos;
  • Costumam comer os fios arrancados (tricofagia), escondê-los ou livrarem-se deles;
  • Sofrem um aumento na tensão imediatamente antes de arrancar o cabelo;
  • Sentem prazer ou alívio ao arrancar os fios;
  • Podem arrancar os fios sem perceber (“automático”) ou reconhecer que estão puxando os cabelos (“focado”);
  • Podem utilizar pinças ou qualquer outro objeto para arrancar os fios.
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Mulher tricotilomaníaca com área de falha extensa em couro cabeludo

Qual é o aparência dos tricotilomaníacos?

A aparência é muito variável, desde falhas exuberantes no couro cabeludo e sobrancelhas, até quadros muito discretos e imperceptíveis. A maioria têm rarefação dos cabelos, fios partidos em vários tamanhos e outros tantos rebrotando. Algumas vezes, pela manipulação constante, os cabelos ficam encaracolados, e surgem escoriações ou pequenos ferimentos no couro cabeludo.

As pessoas que sofrem com tricotilomania costumam usar algum disfarce para as falhas dos cabelos, como chapéus, lenços, perucas, cílios postiços e maquiagem.

Alguns, além de puxarem, também tem compulsão por comer os cabelos (tricotilofagia), conhecida como a Síndrome de Rapunzel. Esses pacientes, principalmente as crianças, engolem os próprios cabelos arrancados, o que pode causar a formação de um novelo de cabelos (tricobezoar) no estômago ou no intestino. Como consequência, podem surgir cólicas, massa palpável ou, mais raramente, obstrução intestinal.

Quais as consequências para quem sofre com a TTM?

Os tricotilomaníacos sentem vergonha, embaraço e tendem a se isolar do convívio social, pois as áreas de falhas ficam cada vez piores e o disfarce só resolve por um tempo. As atividades como nadar, dançar, praticar esportes ou aquelas que envolvem mais proximidade física, passam a ser evitadas.

Existe algum tratamento?

O primeiro passo é reconhecer o problema e, assim, buscar ajuda profissional. Muitas pessoas procuram o dermatologista para tratar a queda dos cabelos, mas se sentem envergonhadas de informar que foram elas mesmas que arrancaram os fios, o que pode atrasar o diagnóstico e tratamento.

É recomendável aos tricotilomaníacos:

  • Tratamento dermatológico;
  • Tratamento psiquiátrico;
  • Frequência a grupos de apoio;
  • Terapia cognitivo-comportamental para identificar e lidar com as situações estressantes;
  • Treinamento para reversão de hábitos.
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Na maioria dos casos, os primeiros sinais de tricotilomania surgem na adolescência, mas também são percebidos em crianças entre seis e dez anos


Dra. Ana Andrade CappDra. Ana Andrade Capp
Médica Dermatologista
CRM-DF 14.244 | RQE 10.245

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4 Comentários

  1. Boa tarde! quando eu era pequena eu arrancava os cabelos e comia,fiz isso até os 7 anos de idade e parei.Agora estou com 22 anos e voltei a fazer isso,mas só estou arrancando não comendo.
    Gostaria de saber se é possível que essa doença tenha voltado.

    • Srta. Gleiciane, agradeço sua mensagem!

      É importante que procure logo ajuda e tratamento (psiquiatria e dermatologia). É comum começar os sintomas na infância e, na fase adulta, recidivar a compulsão por arrancar os fios dos cabelos quando há algum estresse, ansiedade ou depressão.

      Obrigada por nos acompanhar.

      Dra. Ana Andrade Capp
      Médica Dermatologista
      CRM-DF 14.244 | RQE 10.245

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