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Botox (toxina botulínica) na prevenção de cicatrizes

O botox (toxina botulínica) é amplamente utilizado para prevenir e tratar rugas de expressão, dor e suor excessivo, entre outras funções. Mais recentemente, está sendo utilizado também para melhorar o aspecto das cicatrizes em ferimentos ou cirurgias.

Um dos mecanismos mais bem entendidos do uso da toxina botulínica na cicatrização é a redução da contração muscular nas bordas da ferida. Sem esta movimentação de contração, a cicatriz não fica estirada, o que permite que se recupere melhor (um dos fatores da cicatrização ruim é o estiramento de suas bordas, que estimula a formação de uma marca mais espessa e dura para tentar vencer o estiramento).

Contudo, possivelmente, além do efeito no estiramento, há também uma ação direta nas células do local. Estudos in vitro (realizados apenas com células) demonstraram redução na formação de vasos sanguíneos após o uso da toxina botulínica. Com menos vasos sanguíneos formados, a cicatriz fica menos avermelhada e há menos suporte de sangue para estimular uma marca muito intensa (espessa e avermelhada).

Botox (toxina botulínica) para cicatrizes

Outros pesquisadores acreditam no efeito direto da toxina botulínica no fibroblasto, a célula responsável pela produção de colágeno. Quando esta célula produz colágeno em excesso, a cicatriz fica mais espessa. Há estudos de pequeno porte demonstrando tanto a ação no fibroblasto quanto a ausência de ação na célula. Várias informações mais técnicas e complexas constam nos artigos científicos que estudam o tema. As linhas de tensão são as dobras que surgem na nossa pele quando nos movimentamos (no rosto, com o envelhecimento, são as rugas de expressão). Quando um corte cruza as linhas de tensão da pele de forma perpendicular, ocorre que, cada vez que nossa pele se movimenta, ela força essa cicatriz. Isso acaba gerando uma defesa do nosso corpo, endurecendo a área. Então é gerada uma cicatriz espessa, que pode causar dor e até coceira.

A toxina botulínica reduz essas contrações e a formação de marcas espessas e avermelhadas, como vários pequenos estudos têm demonstrado. Um estudo muito interessante tratou com toxina botulínica apenas a metade das cicatrizes no pescoço de pacientes. O que se observou foi que a metade tratada ficou com aspecto muito melhor do que a parte não tratada. Outras técnicas cirúrgicas e outros métodos pós-cirúrgicos podem ser utilizados em associação com a toxina botulínica para a melhora da cicatrização. Entre eles estão a terapia de compressão, o uso de lasers e medicações específicas.

A questão não é só estética. Uma cicatriz endurecida pode impedir que haja movimentação adequada de uma mão, de um braço ou até de parte do rosto. Além disso, podem ocorrer dor e coceira. O tratamento e, principalmente, a prevenção da formação de cicatrizes hipertróficas e queloides melhoram muito a qualidade de vida das pessoas.



Dr. Juliano BreunigDr. Juliano Breunig
Médico Dermatologista
CRM-RS 28.055 | RQE 18.990

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